Tudo Sobre a Historia do Croche Que Conhecemos

O objetivo do post de hoje é trazer aqui um pouco para você sobre a história do crochê. Acredito que, na grande maioria das famílias brasileiras, sempre tem alguma pessoa mais habilidosa nessa arte de transformar diferentes tipos de fios em uma peça de vestuário, ou de decoração. Não necessariamente o crochê precisa lembrar de uma senhorinha, já com mais idade, sentada em sua cadeira, tecendo seus trabalhos de crochê. O crochê é algo que, principalmente na nossa cultura brasileira, está e sempre esteve presente. Saiba um pouco sobre isso por aqui….

Tudo Sobre a Historia do Croche Que Conhecemos

Estou aqui no meu computador fazendo esse post para dividir com você, sobre minha toalha de crochê de linha merce n 6. Para quem conhece, sabe que essa linha é finíssima e os trabalhos ficam maravilhosos. Não vou contar quanto tempo levei para terminar essa toalha, pois ela mede 2,50 de comprimento por 1,50 de largura. São aqueles projetos que você lança como desafio, em uma época em que fiquei, literalmente, em casa aos cuidados dos filhos adolescentes, e hoje ela está aqui fazendo parte das minhas lembranças e da satisfação que se tem ao concluir algo, que no início, nem você acreditava ser capaz.

Aprendi os primeiros pontos de crochê, em torno dos 9 anos de idade, por ser curiosa e sempre ter vontade de aprender. Não me lembro o quanto media a famosa tira de correntinha. Pois é assim que se começa a aprender o crochê. E tenho vivo na lembrança, minha avó materna, uma crocheteira de mão cheia, sentada com seu novelo de linha e aquela pequena agulha de na cor prata, tecendo suas peças de crochê. E quantas colchas que ainda estão, hoje em dia, fazendo parte da história da família na casa de suas filhas. Mas confesso para você, que perto dela, não cheguei nem a 10% dessa arte, sendo a minha preferência o crochê filé,  pois os trabalhos com apenas pontos corrente e alto, transformam os fios em trabalhos lindos sem tanta dificuldade. Porque nunca gostei da parte em que tem que diminuir e aumentar pontos. (kk)

Deixando o saudosismo de lado, trago então o que consegui pesquisar aqui sobre essa linda arte, pois considero não somente um artesanato, mas uma arte aquele (a)  que, com uma simples agulha de crochê, tão pequena, e fios de linha reta, pode-se criar maravilhas nas mãos daqueles(as) que se propõe a desenvolver seus projetos de crochê. Seja um biquinho em panos de prato ou vestidos de noiva bem elaborados, sempre gostei e valorizei as mãos daqueles(as) que se dedicam a esse trabalho.

Fazendo as minhas pesquisas aqui sobre o crochê, essa técnica tão conhecida e exercida em nosso país,  cheguei a conclusão que não se tem uma precisão de onde realmente se originou essa arte. Mas encontrei um texto em inglês, cuja referência está abaixo, onde achei um pouco mais esclarecedor e completo sobre as origens e a história do Crochê.

Por que o nome Crochê ou Crochet?

“Croc” é uma palavra francesa, cujo seu significado é gancho. Para você que conhece uma agulha de crochê já pode pensar que faz sentido, não é mesmo? Pois a pontinha da agulha de crochê, seja de qual tamanho for, nos lembra sim um gancho. Assim, a palavra crochê se derivou dessa palavra francesa “croc”. Na França se usa Crochet, mas como estamos por aqui na nossa terrinha Brasil, o nome mesmo é Crochê.

“Algumas pesquisas arqueológicas apontam para a China como sendo o local que apresenta o primeiro registro dessa prática, tendo alcançado mais tarde a Turquia, Índia, Pérsia, Norte da África, chegando finalmente ao continente europeu no século XVIII”.

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Rainha Vitória

Inicialmente, na Europa, a técnica foi sendo aos poucos modificada, onde os franceses chamam de “crochê no ar” – o tecido e o bastidor de fundo foram sendo abolidos e a linha, fio, começa a ser trabalhado diretamente na agulha.  Com, o tempo essa técnica foi sendo difundida, sendo atribuída tradicionalmente às mulheres de classes populares, porém ela se tornava para as senhoras da nobreza uma forma de passatempo, até mesmo a rainha Vitória (foto acima)  praticava a técnica de crochê. 

Annie Potter, especialista em crochê americano, nos fala que “A arte moderna do verdadeiro crochê como conhecemos hoje, foi desenvolvida durante o século XVI. Tornou-se conhecida como “Laço de crochete”na França e “Laço de corrente”na Inglaterra. (…) Em 1916, Walter Edmund Roth visitou descendentes dos índios da Guiana e encontrou exemplos de crochê verdadeiro”.

Outro pesquisador, da Dinamarca, Lis Paludan se interessou em buscar as origens do crochê para a Europa e o mesmo coloca três teorias sobre suas pesquisas:

  1. “O Crochê originou-se na Arábia, espalhou-se para Leste para o Tibete e para o oeste na Espanha, de onde seguiu as rotas comerciais árabes para outros países do Mediterrâneo;
  2. A primeira evidência do crochê veio da América do Sul, onde uma tribo primitiva teria usado adornos de crochê em ritos de puberdade;
  3. Na China, muito cedo era apresentado as bonecas tridimensionais trabalhadas em crochê”.

O próprio Paludan chegou a conclusão que não há “provas convincentes sobre a idade da arte do crochê, e de onde surgiu.” Antes de 1800, quase não se encontravam na Europa evidências do crochê.

Tambour pode ser o precursor do crochê

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Havia uma forma muito antiga de bordados que era conhecida na Turquia, Pérsia, Africa do Norte, índia e na china como trabalho de borda. Isso chegou na Europa em torno de 1700, quando essa técnica recebeu no nome de “tamboring”, no francês “tambour” ou aqui para nós, tambor.

É uma técnica onde um tecido é esticado dentro de uma moldura, de forma bem tensa, e o trabalho é realizado por baixo desse tecido. Havia uma agulha com um gancho onde era inserida para baixo. Os trabalhos eram realizados com fios bem finos, e com agulha semelhante a de bordar, e ali se formava um ponto corrente.

Foi a partir desse tipo de trabalho que, em 1800, com a evolução do tambour que os franceses chamavam de “crochê no Ar”, ou seja, quando foi retirado o tecido de baixo e o ponto funcionava sozinho.

O crochê fazendo história na Irlanda

A dificuldade em tempos difíceis pode ser realmente a oportunidade para novas criações. Olha que legal essa história do crochê irlândes. As rendas e crochê irlandês são maravilhosos e tem a sua história.

Entre 1845 a 1850, os irlandeses passaram por dificuldades imensas conhecida como a fome das batatas. As condições de vida e de trabalho na Irlanda eram duras. Entre as tarefas domésticas e também trabalhos ao ar livre, para aproveitar a luz do sol. Mas chegava a noite e trabalhando com uma vela, ou lâmpada de óleo, acredito que com as nossas antigas lamparinas, os trabalhos naquelas condições primitivas, muitas peças crochetadas eram guardadas embaixo da cama o que as tornavam sujas. Mas, elas podiam ser lavadas e o brilho das peças eram recapturadas.

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Os compradores no exterior não sabiam que os delicados trabalhos dos colares e punhos eram feitos em habitações primitivas, na precárias condições de pobreza. “Trabalhadores irlandeses – homens, mulheres e crianças – foram organizados através do crochê. Cooperativas, escolas foram sendo formadas para ensinar a habilidade e os professores foram treinados e enviados por toda parte”. Assim, os irlandeses foram criando novos padrões. Apesar de 1 milhão de irlandeses terem morrido, nesse período de fome, as famílias dependiam de seus ganhos de crochê e com suas economias, puderam se preparar para emigrar e recomeçar suas vidas no exterior, levando com elas as suas habilidades na arte do crochê.

Como eram os materiais utilizados

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Hoje encontramos diversos materiais, tanto nas agulhas como em diferentes fios prontos para se realizar a arte de fazer crochê, Mas nem sempre foi assim. Os irlandeses, usavam qualquer coisa que pudessem colocar nas mãos para realizar seus trabalhos: primeiramente os dedos, seguidos de ganchos de metal, feitos de madeira, espinha de peixe, osso de animal, chifre, colheres antigas, colher de tartaruga, marfim, cobre, aço, etc..

Nesse período de fome na Irlanda, o crochê irlandês fino era realizado com uma agulha ou um fio rígido, inserido em uma cortiça de madeira ou árvore, com a extremidade arquivada e dobrada em um pequeno gancho.

“Ao longo dos tempos, uma variedade de materiais foram utilizados: cabelos, gramas, juncos, peles de animais, lã, linho, fios de cobre, seda, fios de algodão”. E assim, foram sendo desenvolvidos até os  nossos dias diversas opções de fios e materiais para que se possa trabalhar com o crochê, alguns não tão comuns: fios de cobre, tiras de plástico, sisal, juta, pedaços de tecido e o que a criatividade permitir.

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Atualmente,  temos inúmeras opções de agulhas, nos mais diversos tamanhos e materiais, e  fios. As facilidades e opções que encontramos hoje, disponíveis em inúmeros estabelecimentos comerciais, nem sempre nos deixa pensar ou lembrar como se desenvolveu cada material hoje disponível e o percurso que nossos antepassados passaram e suas dificuldades, para que possamos hoje desfrutar das inúmeras opções existentes de materiais para a elaboração dos projetos de crochê.

Quais eram as primeiras produções do crochê

Os pontos de crochê foram sendo desenvolvidos e foram muito úteis para as funções masculinas, foram criados por exemplo para os caçadores e pescadores, fios de fibras tecidas, cordas ou tiras de tecido para apanhar os animais, pássaros e peixes.  Outros usos foram sendo incorporados na vida doméstica, além das redes de pesca, utensílios de cozinha, sacos de jogo com nó, por exemplo.

Também o crochê foi sendo desenvolvido na decoração, para ocasiões especiais como nos ritos religiosos, nas celebrações de casamentos, funerais, ornamentação para armas, tornozelos, pulsos. Os trajes, principalmente na classe mais favorecida, eram utilizados as lindas rendas e peças de crochê em vestidos, casacos, chapéus, tocas, sendo um diferencial na vestimenta entre a classe rica e a classe pobre.

Assim, pode-se pensar que o crochê vez o papel inverso na questão do vestuário, ou seja, uma técnica desenvolvida pela comunidade menos favorecida sendo imitada e usada pela classe mais nobre.

Fotos da evolução da arte do crochê

Abaixo trouxe para você, ainda, entre telas pintadas onde retratam a história do crochê, bem como fotos de sua evolução através dos tempos. O crochê está aí, de geração a geração, marcando seu lugar na vida das pessoas, uma arte que desde sua criação trouxe os seus valores dentro da economia. Como hobby, sustento de famílias ou como uma forma terapêutica, não podemos deixar de valorizar a importância dessa arte de fazer crochê.

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Com uma agulha e fios, apenas uma ferramenta e um material e com o principal, as mãos  habilidosas onde essa agulha e fio vão estar presentes, mãos daqueles(as) que se propuseram a aprender, criar e desenvolver nessa arte do crochê, só podemos aplaudir, parabenizar e agradecer pelas inúmeras produções realizadas ao longo dessa história do crochê.

Já fiz outros posts por aqui sobre crochê caso queira visitar, fique a vontade:

10 sugestões de colchas coloridas de crochê

Sugestões de tapetes de crochê

Chilli beans fashion cruise com Leandro Dário

Enfim gente, o fato de tecer uma peça de crochê, pode também nos levar a pensar sobre a forma de tecer as nossas vidas, nossas relações. As vezes, um ponto ficará mais frouxo, outro apertado, ou ainda, pode-se perder algum ponto em um momento da elaboração da peça e que, com calma e paciência, poderá ser recuperado. O importante nessa construção de uma peça de crochê, bem como na construção da história de vida de cada um de nós, possamos refletir sobre os resultados que queremos alcançar ao final dessa elaboração, tentando, desmanchando, voltando, recomeçando, para assim poder quem sabe ver o projeto realizado.  Se não perfeito, como foi pensado inicialmente, mas com a certeza que ali você deu o melhor de si. Afinal, uma peça artesanal, assim como nossas vidas, traz consigo a singularidade de cada um, com seu jeito especial de ser, um defeitinho aqui e outro lá, não poderá tirar o brilho da peça finalizada.

Créditos: blog da Mari Calegari

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